A 17 de setembro de 2026, o FBI emitiu um alerta público sobre burlões que se fazem passar por agentes da polícia ou funcionários do governo. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o seu Internet Crime Complaint Center recebeu quase 61 000 queixas sobre este tipo de fraude, com perdas superiores a 1,6 mil milhões de dólares. O FBI diz que os criminosos usam agora tecnologia como a inteligência artificial, incluindo videochamadas, para tornar a personificação mais convincente.
A única regra que o protege. A polícia e as agências governamentais nunca lhe telefonam nem enviam mensagens a exigir pagamento, segundo o FBI. Se quem liga insiste que tem de pagar já para evitar uma detenção, uma multa ou a perda de uma licença, é um golpe — por mais oficial que pareça ou soe. Desligue.
Como soam estas histórias. Os números do FBI mostram alguns guiões comuns:
- Falta a um júri ou a uma audiência em tribunal. Cerca de 6800 queixas e quase 36 milhões de dólares perdidos. Quem liga diz que há um mandado contra si, a menos que pague uma "multa".
- Um problema com uma licença médica. Cerca de 3300 queixas e mais de 37 milhões de dólares perdidos, visando médicos e outros profissionais de saúde.
- Um "funcionário estrangeiro". Cerca de 1800 queixas e mais de 140 milhões de dólares perdidos. É a versão mais elaborada, e as denúncias indicam que visa frequentemente estudantes internacionais e comunidades imigrantes. Segundo o The Register, alguns dos que ligam aparecem em vídeo fardados ou num cenário feito para parecer um gabinete oficial.
- Renovação de uma licença. Cerca de 500 queixas e uma perda menor, de 348 000 dólares.
A pessoa que liga é um deepfake? Não necessariamente. O FBI diz que a IA é usada como apoio ao esquema, mas o verdadeiro truque é a pressão e o medo, não uma tecnologia perfeita. Um fardamento ou uma sala com ar oficial no ecrã não prova nada. Avalie o pedido, não a imagem.
O que fazer se alguém lhe ligar
- Não pague, não dê dados pessoais e não continue ao telefone. Nunca pague com cartões pré-pagos, criptomoeda, transferência bancária, nem dinheiro numa máquina de criptomoedas. As agências verdadeiras não pedem isto.
- Ignore o número de telefone ou o site que lhe derem. Procure você mesmo o número oficial da agência e ligue de volta.
- Não se deixe apressar nem peça para guardar segredo. O segredo e a urgência são as ferramentas do burlão. Fale com um familiar ou amigo.
- Verifique cuidadosamente os endereços dos sites. Os sites falsos copiam nomes reais com pequenas alterações.
Se já pagou ou partilhou dados. Contacte o seu banco ou a emissora do cartão de imediato, informe a polícia local e, nos Estados Unidos, apresente uma denúncia em ic3.gov. Inclua os dados de quem ligou, a forma como pagou e quaisquer mensagens. Fora dos EUA, denuncie à sua polícia local.
Para saber mais sobre como identificar vozes e rostos falsos, veja como saber se a voz numa chamada telefónica é de IA e como detetar um vídeo deepfake. Se quem liga afirma ser um familiar, leia sobre a burla do avô 2.0.
Fontes
- Law Enforcement Impersonation Fraud Alert (I-091726-PSA) — FBI Internet Crime Complaint Center
- FBI: fake cop and government impersonation scams cost victims $1.6B — The Register